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20/09/2010

Os filmes abstratos

Atenção senhoras e senhores, este post contém spoilers:

Por volta de duas semanas fui ao cinema ver “A Origem”. Achei um filmaço. Muito divertido, denso, abstrato, louco e com um final interpretável.

Contextualização de “A Origem”: É um filme que se passa num mundo onde as pessoas conseguem entrar nos sonhos umas das outras. É isso. Eu sei, to com preguiça de explicar o filme. Mas o importante é saber que as pessoas, para saberem se estavam em um sonho ou na vida real, tinham que realizar uma ação com seus tokens (um objeto qualquer). Se a ação acontecesse era vida real, senão, era sonho. No caso do personagem principal, Leonardo Dicaprio, ele tinha que se segurar na proa do navio e não cair enquanto ele afundava e se partia em dois… ah não! confundi o filme. Ele tinha que rodar um peãzinho lá. Se o peão caísse, era vida real.

Pois bem, na última cena do filme, Dicaprio roda o peão e ele continua rodando, logo o espectador não sabe se o peão vai cair ou não. Uhuuuuuu, mistério!

Depois de ver o filme , muitas pessoas passaram horas e horas debatendo a história e qual a melhor teoria para o final. Será que era sonho? Será que não? Será que Dicaprio conseguiria se livrar das drogas e escrever um livro de memórias sobre sua adolescência?… putz! confundi o filme de novo.

Eu sai do cinema pensando sobre a possibilidade de debater o filme também, até que pensei na seguinte verdade: Me nego a discutir uma história que eu tenho certeza absoluta nem o roteirista sabe qual é. Tenho certeza que ele pensou “Cara! Vou deixar esse final em aberto pras pessoas pirarem discutindo o filme por um tempão!”

Eu garanto que nem o roteirista escolheu um final pro filme. E eu aprendi, da maneira mais cruel, que se algo é muito confuso para as pessoas em geral, provavelmente é muito confuso pra quem escreveu também. Como aprendi isso? A resposta é muito simples:

VENDO LOST POR SEIS ANOS E ESPERANDO UM DESFECHO MARAVILHOSO E, NO FINAL, ELES TINHAM QUE PUXAR UMA ROLHA E ESTAVAM NO “NOSSO LAR”!!!!

Que merda, Lost tinha uma trama super confusa, cheia de mistério, cheia de possibilidades, e no final os roteiristas não sabia como terminar a série e terminaram de qualquer jeito. Eu perdi um tempo precioso da minha vida discutindo teorias que não existiam. Eram só várias histórias aleatórias jogadas todas num liquidificador. Os roteiristas durante os seis anos disseram que já sabiam o final, mas os malandros na verdade só sabiam a última cena, o enredo não faziam idéia de como terminar.

Por essas e outras que me nego a discutir finais que ficam em aberto, também me nego a ver sérias complicadas que duram anos na possibilidade do final ser tosco. Agora só vejo “Two and a half man” e “The new adventuras of old Christine”.

ps: “The new adventuras of old Christine” foi cancelado… 1 minuto de silêncio.

13/09/2010

João e Maria

João era um rapaz balzaquiano, inteligente, aparência normal, que adorava usar costeletas quadradas e mulheres loiras

Maria era uma moça bonita, com um rosto quadrado, expressiva, que adorava ser ruiva e gostava de homens com costeletas retas.

Amigos em comuns disseram a João: “João, Maria é perfeita para você“.

Amigos em comuns disseram a Maria: “Maria, João combina muito contigo

E assim eles se conheceram. Com 1 semana se conhecendo, Maria disse a João: “Preciso fazer meu cabelo“. João respondeu: “Eu também“.

E assim foram ao cabeleireiro. Chegando lá, João disse a Maria: “Poxa, tem como pintar o cabelo de loiro?“. Maria respirou, pensou, e respondeu: “Claro, porque não?

O cabeleireiro, trabalhando no cabelo, do João perguntou: “Como o senhor gosta das suas costeletas?” Antes que João conseguisse qualquer som, Maria perguntou: “Pode ser reta?“.  João disse sem titubear: “Sim, claro

E a relação deles continuou, e continuou, até que durou belos 5 anos. No quinto ano, João encontrou um amigo de faculdade, que falou para ele: “Joãaaaaaaaaaaaaaaaao joão, nunca me esqueci de você cara, o homem da costeleta quadrada, lembra?“. A força da palavra lembra foi avassaladora para João. Naquele dia ele chegou em casa com a costeleta quadrada.

Maria olhou, não falou nada, mas sentiu como se estivesse acontecendo algo estranho entre eles. Quem era aquele homem? Ele não sabia que ela gostava das malditas costeletas retas? Se lembrou da adolescência, e recordou, através de fotos, os seus lindos cabelos ruivos. Foi ao cabeleireiro e os pintou.

O que aconteceu daqui por diante, foi uma sequência de eventos onde Maria descobriu que não mais conhecia João, e vice-versa. Depois de 5 anos, eles eram desconhecidos entre si. E o fim foi a separação.

Qual a moral da historia?

É uma pergunta que questiona o limite da sinceridade num relacionamento. Se no início, no salão, João falasse não para Maria, e Maria falasse não para João, eles estariam juntos até hoje? Ou nunca chegariam a 5 anos?

31/08/2010

Detalhes trabalhistas

O calendário tem mais ou menos 240 dias úteis em um ano. Ou seja, temos 240 dias para trabalhar.

O ser humano tem uma característica interessante. Ele pode trabalhar 239 dias focado e sendo produtivo, mas se num dia de merda você resolver enrolar, todo mundo percebe. E percebe mesmo.

Vejam algumas situações que acontecem quando você desfoca um pouco do trabalho. Acho que todos se identificam com uma ou outra (Eu, pelo menos, me enquadro em todas)

Situação um: Você resolve abusar do uso do telefone celular (seu, não da empresa)  ao longo do horário do expediente. Ta num cantinho falando. Começam a pipocar cabecinhas olhando para você. Ai do nada, vem alguém e pergunta: “Ta no telefone né?“. Da vontade de chegar e falar: “Não porra, to falando num microondas, não percebe?“. Quando não falam nada, ficam metendo a cabecinha na porta com um olhar do tipo: “Vai terminar de falar não?“. Ai você termina de falar e vai ver o que o cara chato quer. Não quer nada, só queria era te perturbar (as vezes é sério, mas em geral não)

Situação dois: Você resolve sair mais cedo um dia. Sai uma hora antes, por exemplo. Quando você desliga tudo,está na porta da saída, vem uma voz do diabo no fundo e fala: “Já vai?“. Dá vontade de responder: “Cara, to desmotivado com o trabalho hoje, enrolei o dia inteiro. Se ficar mais uma hora, vou continuar enrolando. Então dá para parar de encher o saco?“. Mas não, você para e responde: “É que tenho que resolver uns problemas ai!“. Caralho, eles estão certos. Eu estou saindo mais cedo hoje. Mas porra, precisam explanar isso? Não podem ficar na sua? Precisam falar na frente de geral da sala?

Situação três: Você resolve ler as notícias do globo. Trabalhou o dia inteiro. No momento exato em que você abre o site, vem alguém e fala atrás de você: “Pô legal né? pesquisando sobre esporte para o trabalho?” E dá um risinho como se fosse brincadeira: “ehehehehe“. Caralho três vezes desta vez. E pior que você não tem o que responder para o infeliz. Vai falar o que? Só dá um risinho de volta e fala: “É verdade!“. (Aprendi com o Bruno, que escreve aqui comigo, o poder da frase é verdade para acabar com um assunto. Funciona que é uma maravilha)

Situação quatro: Essa não tem muito a ver com enrolação, mas reparem o seguinte, qual a primeira pergunta quando você chega um pouco mais arrumado no trabalho? “Vai fazer exame de fezes?“. Pô, as vezes você vai sair com alguma menina, ou fazer algo depois do trab. Nesta hora não perdôo, falo direto sem pensar: “É porque tenho uma entrevista de emprego hoje. Só por isso“. Quebra geral essa frase. Podem usar.

Bom, escrevi esse post as 13:45 da tarde, em pleno expediente.

16/08/2010

A arte de ofender os outros – Parte 2

Ah, como aprendi ensinamentos maravilhosos com minha amiga pelada! Como atacar antes de ser atacado, a arte de ofender os outros, como montar um belo diagrama de classes (só pra quem é da área) e como fazer um macarrão ao molho branco fantástico. Aprendi com ela também que você pode falar tudo que quiser com quem quiser, desde que você saiba o tom com que deve se referir à outra pessoa.

Exemplo: Estávamos no cinema eu e minha amiga pelada, ambos de roupa. Fomos comprar pipocas. O homem da pipoca na hora de registrar no caixa o pedido se enrolou todo. Minha amiga pelada com um sorriso no rosto virou pra ele e perguntou: “Você tem certeza de que foi treinado pra isso?”

Impressionantemente o rapaz não ficou ofendido. Muito pelo contrário, ele riu também. Será que ele não percebeu que minha amiga pelada disse que ele não sabia executar o trabalho dele? Reposta: Não. Porque ela escolheu um tom leve e risonho. Uma pessoa que fala assim não falaria nada agressivo pra ninguém.

Fiquei muito intrigado com essa arte maravilhosa que ela carregava. Fiquei doido pra aplicar também com sucesso (ou então tomar um pescotapa de alguém).

Um dia, fomos a uma delegacia legal (adoro esse nome, Delegacia Legal), pois minha amiga pelada tinha perdido seu documento de identidade (talvez por não usar bolsos?) e começamos a conversar com a delegada (sei lá se ela era delegada, devia ser só a recepcionista).

Enquanto ela nos atendia, ela começou a falar algo sobre as dificuldades de trabalhar naquela delegacia. Enquanto ela falava, eu, incontrolavelmente, falei: Então acho que sua “delegacia” não é tão “legal” assim.

Na hora que soltei a frase gelei e fiquei com medo da delegada atendente ficar ofendida, me prender e me obrigar a comer marrom glacê de sobremesa pro resto da vida. Pra minha surpresa funcionou! Ela deu uma risada de canto de boca e eu soube que havia dominado a arte da minha amiga pelada.

Depois desse dia me transformei numa pessoa muito mais corajosa verbalmente, mas não com menos roupas.

11/08/2010

A teoria das 3 atividades

Bom,

Recentemente resolvi passar uma blusa e fazer comida ao mesmo tempo. Ia sair, e decidi comer algo para forrar o estômago. Resumo da ópera, deixei um misto quente (feito na sanduicheira) queimar. Minha mãe faz comida (de verdade: arroz, feijão, etc), arruma a casa, passa roupa, e mais umas 5 atividades ao mesmo tempo.

Esse é um assunto batido, todo mundo já discutiu a capacidade de paralelizar as coisas que a mulher tem. Então, qual a novidade? a novidade são as teorias que criei em cima desta temática.

Me lembro da época da faculdade que, quando eu estava no quinto período, comecei a namorar e  fui lentamente engordando. Claro que fui cobrado pela minha namorada na época: “Pô, amor, ta começando a engordar, podia entrar numa academia.”. (reparem no “Pô, amor“. Era início de namoro, ainda tinha essas coisas. No final, a história estava mais para “Porra, tá se vendo no espelho não?“).

Para responder a esta questão, eu desenvolvi a teoria das 3 atividades. Esta teoria delineou todas as minhas desculpas, a partir de então, para fugir da academia. A teoria é : “Não posso fazer mais que 3 atividades simultâneamente, senão não dou conta“.

Como ela funciona? Naquele momento eu estava namorando, estudando e trabalhando. São 3 atividades, uma quarta atividade não caberia. Esta quarta atividade, no caso, era malhar. Bom, fugi da academia. Funcionou. Minha namorada, na época, estava apenas estudando e namorando, então tinha tempo de malhar. Resumo: Ela tinha, pela minha teoria, que malhar e eu não. Maneiro né? Funcionou, acho, ou pelo menos fui enganado que ela aceitou. E o mais legal é o fato da teoria não ser machista, ela era unisex e obrigava minha namorada a malhar e eu não. Genial.

Depois fui direto para o mestrado e a teoria continuou válida. Não precisava malhar.

A coisa desandou mesmo, foi quando terminei o mestrado. Neste momento eu estava trabalhando, namorando e “…”. Nada. Tinha um vácuo. Eu tinha tempo. Minha teoria ficou furada. E para agravar a situação, minha namorada na época estava terminando a faculdade, estudando, iniciando estágio e malhando. eram 4 atividades, e dava conta. Aí está ai o link com o primeiro parágrafo: Será que funcionaria dizer que ela conseguia esta façanha pelo fato de ser mulher e eu ser homem? Não deu certo e desta vez me fudi. Não colou, mas fui convicto em minha insistência de não malhar.

O resultado disto foi o ganho de uns 15 quilos a mais do que devia (Já perdi 10)

Só para não parecer preguiçoso, hoje estou malhando, dançando, trabalhando e outras coisas mais. Faço umas 5 atividades ao mesmo tempo (Este parágrafo foi para fazer marketing pessoal).

Recentemente, ouvi um teoria parecida. Meio machista, mas me levou a pensar. A teoria é: “O homem só consegue fazer 2 destas 3 atividades concomitantemente: sexo, ver futebol e tomar cerveja“.

Confesso que ainda não consegui quebrá-la.

06/08/2010

Bate e volta

Fui comprar um cadeado para a minha bicicleta. Cheguei na loja.

Eu: Amigo, tem tranca de bicicleta.

Vendedor tranquilo: po… não sei. Acho que sim.

Eu: Descobre pra mim então, por favor.

Vendedor tranquilo: Ah. tem essa daqui.

Eu: quanto custa?

Vendedor tranquilo: hum… mais ou menos uns 36 reais

Eu: … e exatamente custa quanto?

Vendedor tranquilo: hum… perae, vou ver.

paciência…

04/08/2010

A arte da conquista

Uma vez estava vendo a National Geographic e descobri como funciona o esquema da conquista  no mundo dos macacos  (As vezes falo que vi na Discovery Channel, mas na verdade eu vi mesmo é na Rede TV, num programa que tinha da Luisa Mell. Tenho maior vergonha de assumir isso).

As macacas se interessam pelos macacos por 3 motivos (é verdadeiro isso). Esta info foi tirada (segundo o programa que assisti) de um uma pesquisa americana. Eles falaram o nome da universidade, mas não lembro. (sempre tem uma pesquisa americana que comprova qualquer teoria)

Motivo 1: O macaco mais belo

Aqueles que possuem os pelos mais belos, o melhor cheiro, e não sei mais o que a  macaca acha bonito em macacos. (eles andam pelados, não sei se instintivamente a macaca repara nisso, se é que vocês me entendem).

Motivo 2: O mais forte

A força no mundo animal não se traduz em beleza (diferente das mulheres periguetes que gostam dos bombados de academia). Neste caso, o mais forte é o que possue os melhores cachos de banana e os melhores galhos da árvore. Ou seja, é o mais rico.

Motivo 3: O mais engraçado

Se o macaco é feio, e fraco, não tem jeito, tem que ser bom de papo. A macaca repara nos macacos mais engraçados. A graça, neste caso, é, por exemplo, tacar cocô nos visitantes do zoológico (vide o falecido macaco Tião).

Pensando de modo geral, é bem por aí mesmo que funcionam as mulheres. levando em consideração, claro, as variaveis postadas no tópico “A lógica do relacionamento” .

Por exemplo, você está numa night e é bonitão. Pega  mulher mole. Normalmente a vantagem de sair com amigos assim (bonitões), é que sempre sobra uma mulher para você.

Agora, você não é tão bem agraciado por Deus no quesito beleza, qual a tática na balada? A tática é fazer a mulher rir. Tem que ser bom de papo, todo homem sabe disso.  Primeiro passo é conseguir fazer com que a mulher te ouça (essa parte é a mais difícil, normalmente ela já manda você embora). Se ela te ouvir, você fala uma gracinha para ela (nada manjado, algo criativo). Se ela rir, já era. 67,8% de chance de pegar. (Estatística baseada em minha experiência). Fazer ela rir neste caso é essencial.

Agora você é rico, tem uma BMW, qual a tática para pegar mulher na night? Não tem como entrar com o carro na boate, certo? A tática é a seguinte, você pega o seu carrão, para na porta da boate momentos antes de entrar. Fica ali e deixa as mulheres te manjarem. Aí você observa as mulheres que te viram com o carro. Pronto.  Ta feito. Dentro da boate, basta ir em direção a elas que é tiro certo.

Depois que vi esse documentário não precisei de nenhuma teoria da evolução para me mostrar que realmente o ser humano evoluiu dos macacos.

30/07/2010

O ataque é a melhor defesa

Vou começar este post com mais um maravilhoso ensinamento da minha amiga pelada. Para os que chegaram agora e não conhecem a amiga pelada leiam o post A arte de ofender os outros.  nós precisamos lidar o tempo todo com pessoas que querem descarregar suas irritações em cima de pessoas bondosas e gentis como eu (hahahahahahaha). Bom segue mais um ensinamento milenar da amiga pelada:

Quando você sentir que alguém vai te atacar, você tem duas opções: ou espera ser atacado ou ataca de volta.

E tenho um exemplo maravilhoso: A amiga pelada estava um dia no ônibus lotado. Ela esbarrava incontrolavelmente em um homem na sua frente, que por sua vez olhava pra ela com uma cara muito feia, pronto para extravasar todas as suas irritação e frustrações contidas por não ter sido muito abraçado durante sua infância. Amiga pelada sentindo o bote, instantaneamente virou para ele e falou:

- Olha moço! Não é minha culpa. Eu não quero esbarrar em você, mas nesse momento tem doze partes do meu corpo tocando em cinco pessoas diferentes então o senhor vai ter que agüentar!

Ele ficou em silêncio embasbacado. Não é incrível? Se conseguíssemos prever esses momentos fatais antes deles acontecerem seriamos muito mais bem sucedidos! Talvez não mais bem sucedidos, mas com certeza mais realizados no final do dia.

Eu ainda não tenho esse dom. Por enquanto meu lema é: Se alguém te atacar, pense rapidamente em uma resposta grosseira pra você não ir pra casa tão perdedor…

27/07/2010

O churrasquinho de gato

Tento sempre colocar fatos que acontecem em minha vida em forma de crónicas e textos divertidos, mesmo que estes não sejam alegres. Hoje, porém, vou abrir uma exceção. Tem amigos que falam que eu me exponho muito nos meus posts, já que é um site publico, mas por isso o nome ser sincerocídio, mistura de sinceridade excessiva com suicídio (neste caso social).

Neste momento estou triste (durante a escrita do texto). Então simplesmente resolvi escrever algo que reflita o meu atual estado de espírito (Só explicando que não é uma fase triste, é um momento triste. Daqui a 2 horas eu fico feliz de novo).

Off Topic:  Explicando melhor sobre a frase “daqui a 2 horas eu fico feliz de novo”, eu aprendi com uma amiga minha que quando você está triste, fale para si mesmo: “Daqui a x minutos vou estar feliz”. E acredite nisso. Quando passar o tempo que você se deu, você pensa: “Pronto, tenho que estar feliz” e na teoria não estará mais tão triste. Nunca funcionou comigo, sempre tento, mas ela jura que funciona com ela.

Há dois meses atrás, acordei num domingo e resolvi chamar um amigo meu e a irmã dele para fazer um turismo social. O que significa isso? Significa ir numa comunidade pobre (se falar favela pega mal) e conhecê-la. Então fomos no Dona Marta, que sabidamente é um morro pacificado pela eficiente polícia militar fluminense (o texto é serio, mas não custa ter um pouco de ironia)

Para quem não conhece, o Dona Marta tem um bondinho que leva de graça os moradores até o lugar mais alto da favela. Então fomos nós 3 neste bondinho e descemos a pé. Eu poderia fazer um post super divertido sobre isso (me cobrem depois), mas quero focar numa experiência que tive que me marcou.

Descendo o morro passamos por uns becos que são bem apertados, e com a saída das portas das casas para eles. A saída da sala, por exemplo, é para este beco. Passando por um deles, eu percebi que estava rolando um churrasquinho. Dava para ver pela cara da carne que era de segunda, e estavam tomando cerveja Cintra com um funk da pior espécie tocando.

Antes de escrever este post, comi uma picanha num restaurante aqui perto de casa especializado em carnes. Ao chegar a minha casa olhei para tudo o que tinha conquistado. Tenho meus problemas financeiros, como todo brasileiro, mas consegui hoje uma vida estabilizada. Me formei, fiz mestrado, e tenho um emprego estável. Olhei para minha casa toda arrumadinha, pensei em todo meu histórico de vida, e percebi que tive, até o momento, um relativo sucesso (Poderia ter conseguido mais, mas é a vida). [Se lembram quando falei que meus amigos reclamam que me exponho muito, esta ai um exemplo]

Qual o link entre as histórias? Na hora em que passei pelo churrasco de gato não percebi nada diferente além do que tinha dito. Acho que meu amigo e a irmã dele também não. Depois, quando comecei a refletir sobre a minha vida, me lembrei daquela cena. Eles estavam felizes. E muito. E felizes com uma situação que se fosse comigo, me deixaria triste. Não poder comprar uma carne de primeira e tomar uma cerveja boa? Isso para mim seria um fracasso.

Aprendi (caiu tarde a ficha) que a felicidade não está no que você tem, quanto você estudou, ou no seu status social. A felicidade está nas coisas simples. Não podemos buscar a felicidade fora, mas sim dentro de nós mesmos, pois senão nunca a encontraremos. Parece bobeira, mas essa experiência mudou um pouco o modo como vejo hoje as coisas.

Eu hoje, tenho muito mais que o pessoal do churrasquinho de gato, e estou triste.

Mas, como bem disse Khalil Gibran (Ele era um escritor João ninguém libanês, até que resolveu ir para os EUA e traduzir seus livros do árabe para o inglês): Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.

Sabe aonde queria estar agora? Ouvindo funk, comendo churrasco com carne de segunda, e bebendo Cintra.

23/07/2010

A arte de ofender os outros

Quem ai nunca trabalhou com alguém burro? Ou conversou com uma pessoa besta? Quem nunca teve vontade de virar pra um desses  e falar “Seu imbecil!!! deixa de ser burro!!!” (Neste momento todos levantam a mão confirmando… menos pessoas que são puras de coração… não é o meu caso). Vira e mexe passam pela nossa vida pessoas que são burras, malandras, desagradáveis, que mastigam de boca aberta, ou que gostam de Calipso. Mas quase nunca podemos dizer o que pensamos, por causa daquela coisinha chata chamada decoro social.

Pra quem não conhece o decoro social, é uma regra que inventaram pra te obrigar a odiar os outros só de maneira velada. Já dizia uma amiga minha da época do colégio: “Não sou eu que sou mal humorada, são as pessoas que são chatas”. Se você sonha em falar na cara dessas pessoas o que sente, vou passar um conhecimento milenar ensinado pela minha amiga pelada.

Contextualização da amiga pelada: A amiga pelada não é pelada de verdade. Você não à verá andando em pelo no centro do Rio. Ela na verdade é uma artista. E tira muitas fotos artísticas / existencialistas / surrealistas. Quando alguns amigos viram as fotos dela pela primeira vez disseram: “CARACA! Essa garota tá pelada!”. Ai pegou. É isso.

Minha amiga pelada uma vez me falou uma frase que nunca mais esqueci e repassei para dezenas de pessoas:

“Quando você quiser falar do defeito de alguém sem que essa pessoa fique ofendida, basta falar de seu defeito como uma qualidade incompreendida”.

Cara, é mágico funciona toda vez. Vou dar um exemplo: imagine que você tem um conhecido que é preguiçoso. Consequentemente deseja mandar esse vagabundo levantar a bunda da cadeira e ir trabalhar. Mas não da pra falar assim, certo? Precisa ser mais cortês. Pois bem, aqui está a qualidade incompreendida formatada da maneira correta:

- Asdrubal (nome de gente preguiçosa), você é um cara muito legal, que valoriza os bons momentos da vida, que entende a necessidade de um homem ter tempo para ele mesmo, que gosta de ter tempo livre para descansar o corpo e a mente. Essa é uma qualidade invejável, que muitas pessoas deveriam ter. Infelizmente, a sociedade nos obriga a andar e produzir em um ritmo mais acelerado do que é o ideal. Acho que para você se encaixar na sociedade deveria tentar produzir mais para acompanhá-la, mesmo que ela esteja errada.

Pronto! Mandou o vagabundo trabalhar. Viu como é fácil. Pratiquem em casa, no trabalho, no grupo de amigos e depois venham contar se tiveram sucesso.

ps: Será que agora que eu revelei meu segredo, a próxima vez que eu aplicar a técnica em alguém ela não vai mais funcionar pela pessoa já conhecer a técnica?

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